Enganando quem?
Por Angela Maciel
O aumento da complexidade e dos desafios no mundo empresarial tem levado ao aparecimento de novos tipos de profissionais.
São pessoas que atuam de maneira mais múltipla e diversa em suas áreas, que têm capacidade para analisar e responder com agilidade às necessidades que surgem a cada momento e que muitas vezes conseguem fazer correlações entre o que realizam com o restante do contexto em que atuam. Este é um aspecto que podemos chamar de lado positivo atual das empresas: profissionais que estão se desafiando a pensar e agir de maneira diferente do que fizeram até algum tempo atrás.
Simultaneamente, um outro interessante tipo de profissional tem sido frequente atualmente. Estão espalhados pelos diversos segmentos de negócio em posições hierárquicas de gestão e liderança. A característica que os distingue é a prática do autoengano.
O que estes profissionais fazem?
◾ Discursam sobre o que não praticam
◾ Estipulam metas inalcançáveis
◾ Firmam pactos que não cumprem
◾ Conduzem processos de avaliação de desempenho com grande imprecisão dos critérios gerando descrédito e sentimentos de injustiça, incluindo a irreal meritocracia.
São profissionais inteligentes, de formação inquestionável, que dedicam muitas horas de trabalho individual e em grupo para cumprir suas atribuições. Demonstram ter responsabilidade com budgets de áreas de resultado fundamentais para as empresas que representam, mesmo cometendo tantos enganos.
Estamos diante de uma população de gestores que além do que foi dito, também acredita que podem orientar e gerenciar pessoas e equipes sem destinar tempo de qualidade para conversas verdadeiras, mobilizadoras de significados, com seus liderados. Limitam suas interações com eles a reuniões desgastantes e improdutivas e em inúmeras mensagens e áudios de WhatsApp, enviados sem restrição de horário. Fazem assim, a denominada “gestão por zap” que cada dia ganha mais espaço, sobretudo em tempos de pós pandemia.
Grande parte do tempo dos gestores do autoengano é consumido arquitetando “justificativas verdadeiras” para os “não resultados” que apresentam para seus superiores e pares nas reuniões de diretoria onde o produto, além de cansaço, desânimo, desconfiança e stress é um conjunto de explicações que não abordam os recorrentes enganos e, portanto, não vão à causa raiz dos problemas que se repetem indefinidamente.
Os liderados em geral percebem os enganos, mesmo assim se esforçam até o limite e sofrem para fazer acontecer o impossível, pois não são capazes de confrontar as inconsistências e impropriedades por medo da exposição e, em alguns casos, das ameaças que sofrem quando tentam. Assim, acabam se tornando perseguidores de metas mortas, como me disse certa vez um liderado – aquelas metas que jamais atingem os resultados propostos, mas que resultam em medo, frustração, ansiedade, angústia e sentimentos de incompetência deixando muitos “mortos” pelo caminho.
Será que alguém acreditou que eram as metas que estariam mortas?
Será que ninguém percebe que o que realmente morre é a autoestima, o comprometimento, a confiança e a motivação dos profissionais que se esforçam até adoecerem tentando alcançá-las?
O maior problema que gestores do autoengano está deixando de ver é que colaboradores, fornecedores e clientes estão cansados desse jogo desgastante. Que alguns deles não romperam ainda os vínculos que os unem porque estão aprendendo a desenvolver formas de adaptação para a sobrevivência, isto é, como colaboradores estão fazendo de conta que colaboram, como fornecedores estão fazendo de conta que entregam o que/como/quando foi contratado e como clientes estão mais infiéis do que nunca.
Afinal, quem está enganando quem?
Olá! Eu sou a Angela Maciel.
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